quinta-feira, 9 de março de 2017

Ninguém nasce prenda


Ninguém nasce prenda
Eu que me renda
Dessa idiossincrasia de prenda
Contemporânea gueixa gaúcha
Dar-se feito oferenda
Reiteram em mito e lenda
argumentos para que repreenda
numa tapera, casca, casulo
onde o espaço esse limite compreenda
A essência do cair da lágrima
consentem ser matéria prima
terços, costuras, rendas
donas de esperas
tudo que oprima
ingênuo protótipo campesina
livres galopam centauros
deusa Témis cochila
não há atenção que se prenda
(como no olhar da Salamanca pela fenda)
nesse mito ocidentalizado cansado
De um cowboy, um “gaucho” ou um cosaco
Semi bárbaro, anti intelectual
Mais dos mesmos arquétipos
Estilo patriarcal
Os anos (re)inventam verdades
O tempo modifica os cultos
mantêm-se fôrmas culturais de vaidades
antigo dogma oculto
defendido como tradicional
Opressores oprimindo
doma (ir)racional
Simbólicas atrocidades
Inventando adjetividades
Tendo prenda como regalo
suprimento narcísico do peão
Dona de um corpo não seu
sem discussão
Que hoje se narra
dispensa homenagens para sua auto-promoção
interesseira confissão
romântica agressão
harmonizada dominação
simbólica submissão
agressividade em ritualização
trocadilhos de coisificação
Prenda tem voz!
conteúdo que adenda
cerne que acenda
sapiência que não omito
trago e evoco noutro mito
medo masculino antigo
deusa Métis
intuição!
Clarissa Ferreira 
agosto/ 2016

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